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16 anos sem o último rockstar

18/04/2010

Há dezesseis anos atrás, no dia 5 de abril, Kurt Donald Cobain desistiu de tudo. Até que alguma informação do tipo bomba apareça (existem várias teorias pregando seu assassinato), a história oficial é de que o cantor e guitarrista da banda Nirvana se suicidou com um tiro de espingarda  na cabeça. Após exames, altas doses de heroína e certa quantidade do remédio Valium, usado em excesso por ele, foram encontradas no corpo achado na estufa de sua casa em Seatlle.

Fato é que a vida que ele levava nunca pareceu deixá-lo feliz e realizado, a rotina de músico famoso, milionário e perseguido por paparazzis parece perfeita para qualquer um que sonha em ser líder de uma grande banda de rock, mas para Kurt tudo isso era um martírio. Ter que ir a vários programas de tv, dar inúmeras entrevistas repetitivas e a obrigação de cumprir grandes e cansativas turnês eram algumas das reclamações que faziam com que a sua vida fosse muito diferente daquela imaginada aos quatorze nos, quando ele ganhou sua primeira guitarra elétrica. Foi nesse instrumento, que Kurt encontrou a saída para inúmeros problemas familiares e psicológicos que o afetaram até a morte.

A carta suicida encontrada ao lado de seu corpo mostra que a tentativa dos amigos e da mulher Courtney Love de recuperá-lo das drogas e da constante melancolia era inútil. A sensação é de que em algum momento próximo daquele abril de 94 a vontade dele de melhor se queimar do que se apagar aos poucos, ia ser cumprida. Essa frase, presente na música Hey, Hey, My, My (Into the Black), de Neil Young foi a escolhida por Kurt para finalizar seu último texto. Nele, o músico também deixa claro desânimo com que ele encarava os shows: “Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras”.

Apesar de todo o lado sombrio da vida pessoal, a carreira de Cobain à frente do Nirvana sempre esteve em alta. Graças ao enorme sucesso do grupo no início dos anos 90, que vendeu cerca de 75 milhões de cópias até hoje, o rock voltou a liderar as vendas e ser destaque na mídia, já que naquela época o pop de Madonna e Michael Jackson ainda dominavam as rádios e o glam rock tentava (ok, até conseguia vai) manter as guitarras em evidência. Para muitos, Cobain talvez tenha sido o último rockstar ‘de verdade’ da história, até hoje sua misteriosa morte gera dúvidas e sua vida e carreira inspiram lançamentos de filmes, livros e antigos trabalhos de uma das bandas pioneiras do estilo grunge.

Só nos últimos meses foram lançados um livro e um DVD para os fãs e para quem quer conhecer mais da banda que teve importante papel no rock há quase vinte anos atrás. O livro Kurt Cobain-Dos editores da Rolling Stone traz as diversas matérias, entrevistas e críticas de shows e álbuns que a revista norte americana publicou sobre o Nirvana e seu e líder. Já o DVD Nirvana: Live at Reading Festival, mostra uma apresentação histórica feita pelo trio no tradicional festival inglês no ano de 1992.

Outra ótima dica é a biografia Mais pesado que o céu, lançada a oito anos pelo jornalista Charles R. Cross, o autor se dedicou quatro anos ao projeto, teve acessos a cartas e diários,além de entrevistar mais de 400 pessoas para poder relatar a trajetória de vida de Kurt, da infância conturbada em Abeerden até o último instante, na casa de Seatlle.

Para por no som, Nirvana ao vivo com Scentless Apprentice:

Por Diego Menezes

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3 Artistas que você não conhece (e que deveria conhecer)

14/04/2010

 

Rocky Votolato

Nascido em Seatle, Rocky Votolato é um desses artistas que não desistiu da aquilo que queria. Em um projeto simples de voz e violão, o cantor vem conquistando aos poucos fãs e admiradores por todo o mundo.

Votolato escreve de forma simples, mas ao mesmo tempo linda e intensa combinada com sua voz rouquejada. Suas músicas trazem temas como bebida, depressão, amor, cidades, trabalho,dinheiro. As músicas parecem um devaneio de alguém perdido dentro de seu próprio quarto e vida.

Por grande parte de sua vida o cantor de Seatle lutou contra a depressão e a ansiedade de querer fazer música para mais e mais gente, porém sem o sucesso desejado. Ele não desistiu, e envolvido com seu trabalho cortou relações com o mundo externo por quase um ano. Portas fechadas, concentrado sob a luz de uma luminária apenas lendo história, filosofia, física e teologia. Decidiu escrever. Uma mistura de autobiografia e ficção que resultou em obras maravilhosas que acompanham muito bem um copo de whisky sentado em uma poltrona quando a casa estiver  vazia.

Herbert Vianna

Calma!Eu sei que você conhece o trabalho do Herbert Vianna, junto a Bi Ribeiro e João Barone formando uma das bandas brasileiras de maior prestígio nacional e internacional(especialmente na América do sul) os Paralamas do Sucesso.

Mas você já parou para ouvir a carreira solo do Herbert?
Tudo começou quando em 1992 quando os Paralamas deram um tempo dos shows, gravações e de tudo. Herbert foi para a Inglaterra, ficar junto da mulher Lucy Vianna e começou a ler o livro Morte e vida Severina de João Cabral de Melo neto, se empenhando á escrever, algo muito mais para ele do que para o resto das pessoas… Saiu da aí o primeiro álbum, algo bem caseiro, gravado em condições pouco profissionais, mas estava lá o disco “ê batumaré”.

Em 1997 veio o segundo álbum, o Santorini Blues, gravado em Los Angeles, durante um dia e meio com músicas calmas, algumas versões bem diferentes de sucessos dos Paralamas (Pólvora, Dos Margaritas e Uns dias), uma versão da música Annie de Eric Clapton, uma homenagem bonita ao primogênito Luca entre outras…

Em 2000 , O “som do sim”, este se difere radicalmente dos artesanais “ê batumaré” e “Santorini Blues”, envolvendo uma mega produção que mobilizou 75 músicos, quatro arranjadores, dezoito técnicos, cinco produtores e onze convidados. O disco fala muito sobre o amor, consertar o mundo (… começar lavando os pratos), sonhar…
É um lado muito diferente do Herbert que vale a pena ser reconhecido.

Streetlight Manifesto

Uma injeção de adrenalina nas veias. Trombones, trompetes, Saxofones influenciados por Jazz, Ska tradicional, Skacore, ritmos latinos e o que mais aparecer, um vocalista animado que solta centenas de palavras pela boca cantando em um ritmo desacreditável e uma banda que acompanha tudo dando forma as músicas corridas do Streetlight Manifesto.

A banda conta com 3 álbuns e fãs ao redor do mundo. Se não são fãs, são pessoas que respeitam imensamente o desempenho, criatividade e principalmente a técnica da banda, porém é difícil ouvir e não se apaixonar pelo “ska”(entre aspas, por favor) do Streetlight.

Fica a dica.

Por Eduardo Medeiros

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Fale bem ou fale mal, mas fale de mim

11/04/2010

Quantos verões você já passou falando que não aguentava mais a música do momento?  “Éguinha Pocotó”, “Créu”, e atualmente o famigerado “Rebolation”, são músicas daquele tipo que você ouve uma vez, 2 vezes, 3 vezes, 10 vezes por dia no verão, ao ponto de você não mais ouví-la e sim coexistir com ela. Independente da sua opinião sobre qualquer estilo musical, você sabe quem é a(o) tal da(o) Lacraia, você sabe também que são 5 velocidades, e tem plena consciência de que em algum momento, é pra por a mão na cabeça que já já vai ser dado início ao rebolation. Se você parar pra pensar, até mesmo no momento que você diz “não gosto dessa música”, o artista atinge tudo o que buscava: reconhecimento. Qualquer forma de semeação do trabalho, é necessária para o desenvolvimento do músico.

Todo tipo de polêmica, infâmia, boato, é, de alguma forma, parece ser benéfico ao artista em questão. A Amy Winehouse não está saindo de algum tribunal inglês ou drogada na sarjeta durante todo o tempo que aparece nas fotos e televisão, mas só vemos imagens da situação deplorável que ela se encontra, e como uma artista talentosa está “se estragando” mais a cada dia… UMA ARTISTA TALENTOSA! Então eu, você, todos ouvimos a música dela, e é estabelecido que ela é talentosa, e de alguma forma mágica isso acaba impulsionando a carreira da cantora. Mais recentemente, havia a duvida sobre a sexualidade de Lady Gaga, inclusive discutindo-se na televisão, se a mesma tinha ou não, um pênis. Não há como negar que uma figura que desperta tal discussão, só pode ser interessante, exótica, diferente. A tal discussão chegou a levar pessoas para frente do computador, para procurar fotos da silhueta da artista, até encontrar algo que justifique (ou não) o bafafá. Mas no caminho, você viu o clipe de Bad Romance, Paparazzi, o video com o Elton John e até ela caindo ou passando mal durante um show. Já se interou sobre o atual trabalho da Lady Gaga, sem nem perceber que passou a acompanhar mais um artista.

É óbvio que como qualquer pessoa, os artistas devem preferem que as críticas sejam positivas, mas eles e o corpo de pessoas que os circundam sabem muito bem, que qualquer flash, qualquer nota, fotografia, boato ou mito sobre a vida pessoal ou profissional, vem bem a calhar como publicidade.

E você? Quais pessoas públicas você recorda que já usufruiram do bem (ou mal) dizer sobre sua própria vida, ou sobre algo relacionado a eles? (…Os Beatles, Tiger Woods, Boy George, Madonna, Brittney Spears, Axl Rose… e por aí vai!)

Para Por no Som, Bad Romance de Lady Gaga, do sexo masculino feminino:

Por Leonardo Rodrigues

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Intenso e suave

04/04/2010

No post Viciados em fazer barulho, eu comentei sobre dois músicos que alternam projetos diferentes no período em que suas bandas principais dão uma pausa. Dessa vez, vou falar de um músico menos conhecido e que sempre alterna o seu trabalho solo com a banda que toca há quase dez anos. O nome do cara é Dallas Green, o canadense é um exemplo raro de artista que transita entre um som pesado (da banda pós-hardcore Alexisonfire) e calmo (do acústico City and Colour).

Essa alternância de estilos pode ser perigosa para um músico que não tenha capacidade ou que não saiba exatamente o que quer. Caso o som não saia como o planejado, fãs decepcionados e críticas da imprensa podem levar uma carreira antes sólida ao fracasso. Para Dallas o caminho era ainda mais complicado, ele mudou a forma das suas músicas bruscamente, desligou as guitarras distorcidas e partiu para o violão com influências country e folk.

Ao invés de causar indignação e revolta dos fãs mais antigos, ele conseguiu fazer com que grande parte da galera mais ‘roque’ conhecesse e gostasse de seu outro lado, um estilo mais trabalhado e melódico de muita qualidade. Além de ganhar mais respeito de quem já o conhecia, Dallas também conseguiu atrair novos fãs que antes não o acompanhavam.

Mesmo no Alexisonfire é possível notar que a colaboração dele é sempre voltada para a parte mais melódica, tanto nas letras como na forma de tocar e cantar. Foi em uma pausa após uma turnê da banda, que ele aproveitou para trabalhar no seu próprio disco. Aproveitando o material de um EP de 2004 e acrescentando novas músicas, lançou Sometimes, que teve ótima repercussão, inclusive recebendo prêmios e o disco de platina no Canadá.

Perguntado sobre o contraste de seus dois projetos, Green disse que “Eles são lados completamente opostos da mesma coisa, enquanto um mostra seu lado mais rock o outro é o mais quieto”. É justamente o que se nota nas letras e melodias do City and Colour, no primeiro cd, a maioria das composições foram feitas em fases distintas da sua adolescência e são relatos de situações tristes que transmitem muito da emoção sentida por ele naquele período. Para alguns, essas primeiras músicas podem soar como tristes e depressivas, mas na realidade são belíssimas canções que falam de momentos vividos por todos em algum momento, como desilusões amorosas e morte.

No segundo trabalho, Bring Me Your Love, as letras possuem uma cara mais parecida, segundo ele, “Esse é o álbum que sempre quis fazer, pois reflete exatamente quem eu sou hoje em dia”. Mais focado em uma reflexão sobre o homem e questionamentos sobre a vida, neste último disco é possível notar uma influência maior do folk e a vontade dele em acrescentar algo no esquema homem-violão (às vezes piano), com o uso de novos elementos como gaita, banjo e bateria.

Atualmente, Dallas está em turnê com o Alexis divulgando o álbum Old Crows/ Young Cardinals. Após dois anos do último lançamento solo, o próximo deve sair ano que vem e com grande parte das músicas acompanhadas pelo piano, instrumento muito utilizado nas composições mais novas e ainda inéditas.

City and Colour com Waiting em versão mais rápida, com banda e guitarra, Pra por no som:

Por Diego Menezes

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Quando a masturbação começa a fazer mal?

31/03/2010

Horas e horas de porta fechada, vídeos no computador, na TV de madrugada ou simplesmente imaginação com conhecidos, desconhecidos, coisas bizarras que aparecem na mente, nas mãos secas ou com ajuda de lubrificantes (KY ou lubrificantes a base de óleo), com chuveirinho ou bidê (no caso das meninas)… Quem nunca teve seus 13, 14 ou 15 anos? (Idade auge da masturbação, de acordo com pesquisas não oficiais, mas sim conversas de amigos e amigas, com direito a bastantes risadinhas, rostos corados, confissões e sorrisos de nostalgia. Não que essas coisas só aconteçam nessa fase, mas é nesse período que as coisas começam a “aflorar”, se descobrir, sentir e essas coisas…)

Masturbação que tem definição simples no dicionário de bolso: “Auto-Satisfação Sexual”.
Não tem muito segredo, ninguém ensina, é algo intimamente relacionado à descoberta, ao toque a intimidade. A masturbação é nomeada por alguns psicólogos como: “O treino para o Sexo”.

Porém existem aqueles que “treinam demais”, digamos assim. A masturbação é um processo saudável, não faz mal nenhum e seus benefícios são muito parecidos com os do sexo em si, mas claro sem exageros. – Quando perceber que se está exagerando?
Médicos e psicólogos respondem que em dois casos a masturbação pode estar fazendo mal:
1- Falta de vida social – Quando se deixa de sair com os amigos, pro exemplo, para ficar sozinho no quarto. Isso pode ser um mau sinal.
2-Lesões nas partes intimas – Encontra-se na ponta do pênis e em grande parte da vagina um tipo de “tecido” extremamente sensível ao toque. Por isso o atrito muito intenso, unhas cumpridas, mãos ou objetos não higienizados ou inapropriados, podem acabar formando feridas, cortes ou pequenas lesões nas partes íntimas.

Esses são dois casos extremos, exagerados e muitas vezes feitos de forma errada. Caso apresente algum desses sintomas, o melhor seria procurar auxílio de um Médico. Mas se você não está enquadrado em nenhum desses casos, bom sinal, vida saudável,  tranquila, provavelmente divertida e prazerosa…

“Tudo em exagero faz mal”- quem é que nunca ouviu a própria mãe falar isso? . Por isso lembre-se dessa dica materna para Tudo (porém, tentando ao máximo esquecer, especificamente nesse caso, quem foi que disse isso… Por favor), relaxe e… Mãos á obra!

 

Por Eduardo Medeiros

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Blues & Jazz e diversão

30/03/2010

Na última Quarta-feira (dia 24), aconteceu no Bourbon Street em São Paulo, mais uma festa da revista Blues n Jazz, um portal de notícias sobre música especializado em … é… Blues e Jazz. Em qualquer ocasião, uma noite no Bourbon Street promete diversão e boa música, e com as atrações da noite, isso não poderia de forma alguma ser diferente. A festa era uma comemoração pelo lançamento do segundo álbum de Igor Prado, “Watch Me Move!” nos EUA, Europa e também no Brasil.

A abertura do show, foi feita pela banda do saudoso Giba, a The Kingsizes, prestando uma homenagem a lenda do Blues texano Freddie King. A banda estava afiadíssima! Giba entrou no palco solando poucos minutos após a banda começar a tocar a melodia de Big Legged Woman, e encarnou dos pés a cabeça o homenagiado: de terno de seda azul, guitarra semi-acústica, e timbre de voz e guitarra. Apesar de curto, o show foi o primeiro dos dois motivos pelos quais eu fui até o Bourbon Street, e não havia jeito melhor de começar a noite, com um blues quente e tocado com o coração.

O segundo motivo pelo qual eu fui ao Bourbon: “Quem é Igor Prado?!”. Essa pergunta foi respondida em 20 segundos de show. A banda de Igor Prado tem percorrido circuitos de shows nos Estados Unidos, Canadá e Europa, com críticas extremamente positivas em todos os países que passa. Com um Blues bem fundamentado no Swing, Jive e Jazz, Igor Prado incendiou o pequeno palco da casa noturna e fez jus às críticas positivas das revistas especializadas em guitarra e  blues de várias partes do mundo.

Apesar de ter aquele aspecto de estilo musical ultrapassado para os que não estão acostumados com a temática, o Blues parece se reinventar a cada músico que o interpreta, a cada fase da vida de cada artista. As temáticas de dor, saudade, pressão, amor e morte, simplesmente mudaram de objeto: antes, nos algodoais, onde os negros cantavam trechos e estrofes uns para os outros nos campos sobre suas dores e necessidades, depois a maior das temáticas se viraram para o amor (ou a falta dele).

Buddy Guy, em 2009

Artistas como B.B. King, Buddy Guy, Ray Charles, Muddy Waters e Albert King trouxeram o Blues dos cantos e violões surrados para as cidades movimentadas, temperaram o estilo com influencias de Jazz, e o eletrificaram. Não somente o eletrificaram, como tornaram o Blues a base da musica contemporânea norte americana. Tudo que foi já feito por lá na música popular vendável a partir dos anos 50 até hoje, é baseado, ou sofreu influência do estilo musical (até aquele punk sujo e barulhento que seu vizinho da frente ouve a tarde toda).  Enquanto falava com colegas sobre influências musicais, me deparei com o seguinte: porque a maioria de nós jovens, geração Y, ouvimos apenas os extratos, o mastigado, o influenciado, e não ouvimos de onde vem as reais vozes que fazem as músicas de hoje?

Independente de questões sociológicas e antropológicas, aconselho a qualquer um pegar qualquer álbum de Albert King, Albert Collins ou B.B. King, e traçar dois caminhos: uma retrospectiva pelos artistas americanos que você gosta, até achar alguma relação com os mestres do Blues (caso não chegue, você pulou alguém!!!), e uma introspecção, pois poucas coisas são tão boas quanto parar tudo que está fazendo, e somente ouvir um bom Blues tocado com o coração.

Para Por no Som, com calma, tranquilidade, The Thrill Is Gone, de B.B. King

por Leonardo Rodrigues

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A música do computador e a volta das bolachas

27/03/2010

Que a indústria da música passa por uma crise já há algum tempo, todo mundo sabe. Aqui no Brasil a pirataria teve grande participação na queda das vendas de cd’s e dvd’s. Mas como no resto do mundo, o maior ‘culpado’ pela revolução na forma de consumir música é a Internet, com a facilidade de baixar músicas, álbuns e discografias inteiras sem sair de casa, as pessoas que ainda gastam 30 reais pra comprar um álbum são poucas. Os que eu conheço que fazem isso, ainda abrem exceções, só compram da banda preferida ou um disco antigo pra colocar na coleção.

De forma legal ou ilegal, o download no computador se tornou hábito pra quem gosta de música e pode em poucos minutos, conseguir várias delas para ouvir aonde quiser.Por conta disso, muitas gravadoras e artistas perceberam que o melhor é usar Internet como aliada e não agir contra ela (por exemplo, na briga Napster x Metallica, se não conhece o caso vale a pena pesquisar). Se comunicar com os fãs fornecendo notícias, fazendo promoções, vendendo músicas e produtos e permitindo uma interação maior, são ações que satisfazem milhares de fãs que visitam o site e ainda contribuem para a carreira do artista.

Em 2007, o grupo inglês Radiohead soube aproveitar o momento e foi além. O álbum In Rainbows só foi lançado fisicamente, com capa e embalagem, três meses depois do lançamento digital, que ainda inovou permitindo ao comprador escolher o preço que ele pagaria pelas dez músicas. Com essa estratégia de marketing, o grupo chamou a atenção de todos e ainda lucrou com a venda digital e física, que trouxe faixas extras e um livro.

É até engraçado comparar esse exemplo com o que acontecia até pouco tempo atrás. Para ouvir ao material mais novo que uma banda havia gravado meses antes, era preciso esperar o dia do lançamento. Eu mesmo vivi essa situação algumas vezes, saía de casa direto pra loja e  já procurava a estante de promoção do álbum com as cores da capa e o nome da banda. Chegando em casa, a única coisa que importava durante uma hora era por o cd pra tocar e ficar no quarto ouvindo até o fim.

Esse objeto de desejo de um passado não muito distante, o compact disc (cd), surgiu oficialmente em 1982 como grande substituto dos vinis. A disputa entre eles nem durou muito, trocar aquele disco grande por um bem menor e qualidade de som superior foi fácil. Já na metade dos anos 90, os LP’s viraram artigo de colecionador.

Mas parece que agora a moda é ressuscitar os bolachões, há alguns anos é possível encontrar nas grandes lojas um setor com vinis de discos clássicos remasterizados e também lançamentos de trabalhos novos neste formato antes desprezado pela indústria. Para os entusiastas desse revival, no vinil você encontra uma qualidade sonora superior ao cd, com sons mais nítidos e próximos da realidade, e ainda um encarte com ares de obra de arte. Para os artistas e gravadoras a idéia também é perfeita na luta contra a pirataria e busca de uma sobrevida para indústria fonográfica, que ultimamente só passa por prejuízos.

Ah, mas calma, não adianta correr atrás dos novos LP’s que estão sendo lançados, escolhe bem qual você vai querer primeiro por que o preço ainda não é muito convidativo. E segundo, e mais importante, é bom lembrar que pra tocar um vinil é preciso ter um toca discos, olha só! Portanto, trate de se atualizar (?) e vá atrás daquele que está esquecido no sótão ou na casa da sua avó e aproveite esta experiência que seus pais e tios tinham há algumas décadas atrás.

Pra por no som, Radiohead com Bodysnatchers:

Por Diego Menezes